O preço de um carro está na etiqueta. O custo de o usar aparece todos os meses: no abastecimento, na manutenção e nas despesas que se acumulam ao longo dos anos. Ainda assim, há quem rejeite um elétrico antes de comparar esses valores. Às vezes por uma razão prática; outras, por ideias que nunca chegou a confirmar.

É aqui que o preconceito pode sair caro.

Quando os combustíveis pesam no orçamento, olhar apenas para o preço de compra é ver uma parte da conta. A pergunta útil é outra: quanto vai custar este carro durante o tempo em que o vou usar? A resposta depende dos quilómetros percorridos, do consumo, do preço da energia, da forma de carregamento, da manutenção e até do valor de revenda.

No caso de um elétrico, o local onde se carrega faz uma diferença especial. Carregar em casa ou no trabalho tende a ser mais económico do que recorrer à rede pública. E, na rede pública, o preço varia conforme o posto e as condições do serviço. A ERSE explica os componentes desse preço e, nas suas simulações para 2026, assinala que o carregamento público pode custar duas a três vezes mais do que o carregamento em casa.

A manutenção também merece entrar na comparação. Um elétrico não precisa de mudanças de óleo do motor e tem menos componentes móveis no sistema de propulsão. A travagem regenerativa pode ainda reduzir o desgaste dos travões. Isso não elimina pneus, revisões ou possíveis reparações, mas ajuda a explicar por que motivo as necessidades de manutenção podem ser menores. O Alternative Fuels Data Center, do Departamento de Energia dos Estados Unidos, descreve essas diferenças.

Isto significa que toda a gente deve comprar um elétrico? Não. Quem depende de carregamentos públicos frequentes, faz viagens longas sem possibilidade cómoda de parar ou encontra uma diferença grande no preço de aquisição deve fazer as contas com especial cuidado. O mesmo vale para quem percorre poucos quilómetros por ano: uma eventual poupança mensal pode demorar mais tempo a compensar o investimento inicial.

Mas essas são razões para comparar, não para decidir por hábito ou por ‘ouvir dizer’.

Antes de escolher o próximo carro, vale a pena pegar nos próprios números: quilómetros anuais, consumo dos modelos em análise, custo real de abastecer ou carregar, manutenção prevista e tempo durante o qual se pretende manter o veículo. O comparador do Observatório Europeu dos Combustíveis Alternativos é um ponto de partida para analisar o custo total de utilização.

A mobilidade elétrica não precisa de promessas absolutas para fazer sentido. Precisa de uma avaliação honesta. Porque, quando uma ideia feita impede sequer a comparação, podemos estar a deixar que o preconceito decida por nós e a pagar a conta todos os meses.