Num país onde tanto se discute a segurança rodoviária e a redução da sinistralidade nas estradas, é incompreensível que continuemos a fechar os olhos a um comportamento tão negligente como fumar enquanto se conduz , seja cigarro tradicional ou eletrónico.
Atenção: isto não é uma questão de opinião. É uma questão de bom senso, civismo e segurança.
Distração, Falta de Mãos Livres e Manobras sem Sinalização
Vamos aos factos:
Um condutor que fuma tem, no mínimo, uma mão ocupada e parte da sua atenção desviada para acender, segurar ou fumar um cigarro. Pior ainda no caso dos cigarros eletrónicos, que exigem muitas vezes manipulação adicional e até olhar para o dispositivo. Isto compromete a capacidade de sinalizar mudanças de direção, manobrar com precisão, e reagir rapidamente a imprevistos.
É cada vez mais evidente, no quotidiano do trânsito, a quantidade de condutores que não usam os piscas, não porque se esquecem, mas porque têm uma mão presa num cigarro ou num vape! E quando falamos de segurança rodoviária, cada segundo conta. Um pisca não dado pode ser o início de uma tragédia…
Exposição de Menores a Fumo: Um Crime Disfarçado de Rotina
Outro ponto inadmissível: fumar com crianças no carro! A simples ideia de um adulto voluntariamente encher o habitáculo de fumo tóxico na presença de menores é uma afronta à saúde pública. Há leis que proíbem esta prática em alguns países, mas em Portugal ainda se vê demasiadas vezes esta realidade. E não há desculpa aceitável. Nenhuma!
Quem fuma com menores no carro devia ser multado, penalizado com pontos na carta e, em casos reincidentes, ver a carta de condução suspensa. Estamos a falar de pôr em risco direto a saúde de seres humanos que não têm qualquer hipótese de escolha ou defesa.
Cigarros Pela Janela: Risco de Incêndios e de Ferimentos Graves
A chegada do verão traz consigo o agravamento de outro comportamento criminoso disfarçado de “hábito social”: atirar beatas pela janela do carro.
Além do elevado risco de incêndios florestais, que todos os anos consomem milhares de hectares e vidas, há ainda o perigo de uma beata incandescente atingir o rosto de um motociclista que venha atrás. Já imaginou as consequências de tal impacto a 90 ou 120 km/h?
Este gesto, que muitos banalizam, é um acto gravíssimo de negligência cívica e criminal. Devia ser fortemente penalizado com multas severas, pontos na carta, e até imputação criminal em caso de incêndio ou acidente causado.
Tão Perigoso como Usar o Telemóvel
Fumar ao volante é um comportamento tão ou mais perigoso do que usar o telemóvel. A atenção dividida, a redução da capacidade de reação, a distração com o fumo, o incómodo ocular – todos estes fatores contribuem para uma condução menos segura.
No entanto, enquanto o uso do telemóvel já é alvo de campanhas, penalizações e fiscalização, o ato de fumar continua intocável, quase como se fosse um direito sagrado.
Mas não é. Fumar ao volante não é um direito. É uma irresponsabilidade.
Está na hora de legislar com coragem
É urgente que o Governo, as autoridades de trânsito e a sociedade civil comecem a tratar este tema com a seriedade que ele merece. A proposta é clara:
- Proibição total de fumar (cigarros tradicionais e eletrónicos) durante a condução.
- Multas elevadas e perda de pontos para quem fumar com menores de idade a bordo.
- Campanhas de sensibilização equiparadas às que foram feitas contra o uso do telemóvel.
- Fiscalização apertada sobre o ato de atirar beatas para o exterior das viaturas.
Esta não é uma guerra contra fumadores. É um apelo ao respeito pelo próximo, pela segurança nas estradas e pela saúde pública.
Se queremos um país mais seguro, mais civilizado e mais responsável, temos de começar por eliminar os comportamentos de risco e fumar enquanto se conduz, é um deles!
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